O inverno das pessoas.

Por Jéssica Pellegrini

Leia o texto abaixo ao som de Jason MarsI Won’t Give Up.

Gelo não queima mais a pele. Calafrio não esquenta mais a alma. Abraço não acalma mais os nervos. Chocolate não combinamais com a chuva. Beijos não adormecem mais as dores. Edredom não esconde mais as lágrimas. Meias não proporcionam mais conforto. O amor é como um precipício, quando você acha que está voando, talvez esteja caindo.

Chegou o inverno? Não, as pessoas estão frias o tempo inteiro. Justificar as atitudes com uma estação do ano, é apenas uma solução prática.

Difícil, mesmo, é oferecer muito mais do que um cobertor, quando o que tanto procuramos, é o calor humano. Diferente dos meus outros textos, eu não estou falando sobre sexo. Dois corpos colados, em sintonia e no mesmo ritmo, é fundamental. O suor transpirado através desse ato, aquece: por um determinado tempo.

Quando a euforia se despede, o sangue começa a voltar para a temperatura ambiente, o álcool é substituído por água, a emoção pela razão e o momento presente, por passado. E, então, tudo começa a fazer sentido. É como uma lareira: ela instiga, é diferente, atraente, bonita e interessante. Você acende, descobre, aproveita e quando cansar de se divertir, o carvão acaba e assim como ele, você virou fumaça.

Se quiséssemos previsões, compraríamos aquecedores e instalaríamos ele onde os nossos corações se sentissem mais gelados. O fato é, que os relacionamentos modernos, estão combinando mais com ar condicionado: resfriamos quando queremos e se quisermos, caso contrário, tanto faz.

Eu só queria ter alguém, que fosse capaz de substituir o meu cachecol, por uma manta de segurança. Sabemos que amar machuca, corrói, dilacera. Amar nos faz assinar a sentença de trouxa, cego, iludido. Nos deixa fraco, perdido, desestabilizado. Se amar é sinônimo de sofrimento, algo está errado. E muito errado, por sinal.

Na primavera, verão ou no outono, estabilidade é necessário. Justamente, para não sofrermos com as mudanças climáticas. Mas, se for para sentirmos frio, que seja na barriga. Ou na nuca, pescoço, nas costas, quem sabe…

Isso é, o mínimo, do que eu espero e quero nos 365 dias do ano.

E você? Ainda está esperando o café ficar pronto?

2 Comentários em O inverno das pessoas.

  1. Luiz Paulo Responder 1 de setembro de 2015 at 04:09

    Incrível ?

    #
    • Jéssica Pellegrini Responder 2 de setembro de 2015 at 13:50

      Obrigada, Luiz Paulo! <3

      #

Deixe uma resposta

Comentários


btt