Agora eu sou sua ex.

Por Jéssica Pellegrini

Leia o texto abaixo ao som de Foo Fighters Best Of You.

O amor não é um bicho de sete cabeças, talvez de apenas duas.

Eu não sou como você esperava. Eu sou muito mais, do que você merecia ter nas mãos. Com o tempo e analisando friamente a situação, agora é possível observar o que nomeávamos de relacionamento. Namoro, no meu conceito, é a cumplicidade, parceria, respeito e afeição por uma outra pessoa. É andar de mãos dadas, assumir uma aliança, frequentar os mesmos lugares, buscar os mesmos sonhos e trilhar, sem hesitação, para o mesmo objetivo e destino.

E não venha me dizer que sente saudade. O que essa palavra representa para você? Todas as vezes que você me ignorou? Ou melhor, talvez o seu remorso seja maior do que o seu sono, nas noites em que me ligava para desejar uma boa noite e dizia que estava indo dormir. Essa atitude parecia fofa, se ao desligar, você não saísse escondido, acreditando que o mundo fosse grande o suficiente para que eu nunca descobrisse esse tamanho absurdo. Você deveria sentir vergonha de ter sido covarde, eu nem sei como você ainda consegue se olhar no espelho.

Vergonha, é isso que eu sinto quando me perguntam sobre você. Passado, é o lugar que eu te escondi. Experiência, é tudo aquilo que eu aprendi de ruim com você, e que agora, se tornou apenas maturidade para o meu currículo de relações amorosas.

Você deveria me agradecer, por não ter agido como qualquer mulher louca e não ter transformado a sua vida em uma merda. Bem que você merecia esse castigo, mas deixa estar. No fundo você sabe, que não sou eu quem vou apontar os seus erros ou julgar os seus tantos defeitos. A vida vai te bater, e vai doer. Muito mais do que qualquer vingança que eu cogitasse colocar em ação.

Se for para citar algo bom, mesmo puta da vida, eu posso tentar descrever quando nos conhecemos. A sua atenção, o seu carinho e o seu olhar envolvente, eu me senti em êxtase com você. Fiquei cega, você me ganhou e deveria ter comemorado como uma pessoa sortuda que acerta os números da Mega Sena. Você nunca percebeu, mas eu não sou como as outras. E, muito provavelmente, sou a única que respiraria um pouco mais fundo, quando a vontade era de te enfiar uma faca no coração, ou uma chupeta na boca.

Não temos nada de especial, você consegue perceber? Fomos como qualquer outro casal, que começa com um contato frequente e quando um dos lados perde o interesse, a outra ponta se afunda. Esse é o meu lado, submerso na sua ingratidão e desprezo.

Com tudo isso, estou levando a maior lição de todas. Coisa que não se aprende na escola, na faculdade ou em qualquer curso técnico, nem um mestrado ou doutorado é capaz de ensinar. Sabe, de nada adianta eu te oferecer tudo o que existe em mim, se você não quiser ficar e fazer por merecer. O melhor, devemos oferecer para quem passar por nossas vidas. Portanto, saiba que você não foi a única pessoa que teve o meu melhor, outras já tiveram e as próximas, também terão. Eu sempre me dou novas chances, zeradas, sem dores ou amarguras de antigas frustrações. Portanto, eu te amei, com entrega absoluta.

Não, eu não me sinto uma idiota. Eu tenho orgulho em ter me esforçado para ter você, e mesmo com tantas diferenças e egoísmo da sua parte, eu teria feito tudo exatamente igual. Eu continuaria lutando por nós, com unhas e dentes. Você sabe o por quê? Porquê, simplesmente, quem escolheu partir, foi você. Seja com uma mentira, uma traição, uma falta de respeito, não importa.

Em todas as nossas crises, eu adicionei uma vírgula de respiro, entre a raiva e a razão. Ao contrário de mim, você nunca quis permanecer. A cada perdão e recomeço, um novo ou repetido erro. Eu poderia ter me tornado o amor da sua vida, mas você, escolheu ser apenas mais uma página rasgada que deu errado. Eu cansei de tentar desvendar e descobrir as suas qualidades.

Agora eu sou sua ex: exemplo de namorada ideal. E você?

Quem é você?

14 Comentários em Agora eu sou sua ex.

  1. Bruna Responder 13 de maio de 2015 at 14:43

    Texto maravilhoso. Parabéns.

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    • Jéssica Pellegrini Responder 25 de junho de 2015 at 18:48

      Muito obrigada, Bruna! :)

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  2. Admiradora Responder 13 de maio de 2015 at 15:39

    Incrível!!! Os seus textos estão cada dia mais lindos!!!

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    • Jéssica Pellegrini Responder 25 de junho de 2015 at 19:48

      Obrigada, Admiradora! :)

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  3. Ingrid Responder 14 de maio de 2015 at 14:16

    Como podemos “amar” uma pessoa durante longos anos de nossas vidas, e depois, sem mais nem menos, não conseguirmos identificar sua existência?
    Como podemos propagar esse tipo de opinião, sendo que no fundo, sabemos que o que mais queremos da vida é te-lo de volta, para que só assim sentirmos aquele conforto de colo de mãe, ou de chocolate quente no inverno.
    Achei o texto superficial, não pelo modo que foi escrito, mas pela incoerência do sentidos de cada trecho.
    A supervalorização com tom de arrogância, só apela e diz como sou altamente imatura para rejeitar o fim de um ciclo. Pois crescemos sabendo, que em tudo há começo, meio e fim.

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    • Jéssica Pellegrini Responder 25 de junho de 2015 at 20:28

      Ingrid, então, eu respeito a sua opinião, mas eu tenho que salientar que em cada um dos meus textos, eu escrevo algo específico sobre um aspecto do relacionamento. Para tudo existe um começo, meio e fim, mas se eu escrever um texto com todas as cartas na mesa, não faz sentido o blog ser dividido em artigos… Seria mais propício um livro.

      Obrigada pelo comentário!
      Ideias opostas me faz pensar… :)

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  4. Anônimo Responder 1 de setembro de 2015 at 02:34

    Simplesmente maravilhoso! Amei, relatou a minha história :)

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    • Jéssica Pellegrini Responder 2 de setembro de 2015 at 13:47

      Muito obrigada, Anônimo!

      Eu sempre fico feliz quando as pessoas se identificam!

      Volte sempre! :)

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  5. Adrielly Responder 3 de setembro de 2015 at 19:17

    Achei o texto maravilhoso. Parabéns.

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    • Jéssica Pellegrini Responder 4 de setembro de 2015 at 12:44

      Oi, Adrielly!

      Obrigada pelo elogio! :)

      Volte sempre!

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  6. Bruna Oliveira Responder 3 de setembro de 2015 at 19:47

    Adorei o que vc escreveu, se resumi no meu relacionamento de 5 anos .
    Escreve mais rsrs, vou compartilhar . Um abraço

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    • Jéssica Pellegrini Responder 4 de setembro de 2015 at 12:44

      Oi, Bruna!
      Tudo bem?

      Obrigada pelo elogio.
      A melhor sensação é saber que alguém se identificou com as minhas palavras. :)

      Pode deixar, vou escrever mais sobre esse tema.

      Volte sempre, tá?

      Beijos.

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  7. Anônimo Responder 9 de setembro de 2015 at 21:31

    Ótimo texto

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    • Jéssica Pellegrini Responder 11 de setembro de 2015 at 13:50

      Obrigada, Anônimo. :)

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Comentários


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